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Entre as 50 personalidades eleitas pela Revista Times como formadores de opinião mais importantes da América, com longa lista de produção literária e cinematográfica, o autor chileno Alberto Fuguet foi o tema do Expoentes da Literatura de abril. O encontro aconteceu nesta quarta-feira (24.04) no auditório do Campus Dom Veloso para a palestra Não sou um realista mágico: aspectos da obra de Alberto Fuguet, com o professor Veber Viana Gusmão.

Neste evento, o objetivo foi apresentar aos alunos do curso de Letras e demais interessados aspectos da obra de Fuguet, seu olhar questionador e sua crítica incisiva à tendência latino-americana de produção literária sob a ótica do Realismo Mágico.

“Durante muito tempo na América Latina imperou uma estética chamada Realismo Mágico ou Realismo Fantástico. Mas o Realismo Fantástico criou uma espécie de estigma para o escritor latino-americano. Você não conseguiria projeção internacional, vendas e publicar o seu livro se não fosse um realista fantástico. Alguns autores seguiram essa linha. Mas o Fuguet se recusou a fazer isso. Ele vem de uma outra formação cultural. Ele vem contestando essa ideia de que para fazer sucesso enquanto latino-americano você tem que ser necessariamente um realista fantástico”, explica o professor.

Expoentes da Literatura fala de Alberto Fuguet

Ele conta que o autor foi criado na infância nos Estados Unidos e por isso esse desprendimento com a estética latino-americana. A ideia do encontro desta quarta, além de apresentar o autor chileno, foi discutir a concepção de Fuguet acerca da importância da diversidade literária latino-americana e também ampliar a interação entre o público leitor brasileiro e a produção literária latino-americana.

“Ele conseguiu bastante projeção na América Latina com o que ele chamou de Realismo Virtual. Um contraponto do Realismo Fantástico que para ele simbolizava o atraso, amarrar no estereótipo da terra, dos ditadores ao atraso. Ao mesmo tempo que o Realismo Mágico deu projeção à América Latina, ele também nos levou um atraso que não nos fez dar um salto literário que nós precisamos”, observa Veber.