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Para Baudelaire a arte surge em contradição ao seu tempo: "o belo é sempre bizarro". Os impressionistas inauguram a pintura moderna. Em Edouard Manet a "Olympia" (1863), zombada no Salão de 1865, nada mais é do que a releitura de uma obra renascentista italiana. A obra de Manet representou, para Giulio Carlo Argan, a passagem do clássico para o Moderno. Dentro do contexto que se insere a prostituta-Vênus de Manet, Paul Cézanne, que para muitos é o pai da arte moderna, saiu de Paris para estudar profundamente sua pintura e tentou desenvolver a clareza no impressionismo. Formas do mundo, geometria na natureza, interesse pelo princípio das coisas, seu legado não poderia ser outro: Paul Gauguin, Pablo Picasso, Henri Matisse, Constantin Brancusi, etc.

No Brasil estávamos tentando acertar o relógio para se enquadrar na produção artística em voga: a francesa. "O caipira picando o fumo" (1893) de Almeida Junior remete ao interior, ao homem brasileiro sem idealizações e representa uma primeira tentativa de questionar este enquadramento. Posteriormente atribuiu-se ao movimento Antropofágico o desponte de uma arte moderna e "brasileira". Se por um lado a arte francesa permanece uma importante referência (não a única neste momento), Tarsila do Amaral e Anita Malfatti foram estudar em Paris, por outro, havia o entendimento de que a arte deveria refletir nosso cotidiano, como fez Almeida Junior. Segundo Mário Pedrosa, estudioso de arte brasileira, nossa arte moderna dividiu-se em dois troncos. O primeiro com a Semana de Arte Moderna (1922) e o segundo com a publicação do "Manifesto Antropofágico" (1928) de Oswald de Andrade, com o objetivo de adentrar o Brasil e atualizá-lo, porém preservando suas raízes.

Quais as relações entre a arte moderna produzida em Paris pelos jovens artistas nos anos 1920 e a nossa arte que questionava o processo de colonização do país?



Ministrante:

Isabel Cristina de Queiroz CarvalhoMestre em Estudos contemporâneos das artes Universidade Federal Fluminense. Possui graduação em História da Arte pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Participou do projeto "Arte e História na Contemporaneidade: implicações políticas" com orientação de Sheila Cabo Geraldo, atuando na pesquisa sobre coletivos de artistas de 2010 a 2014.
  

Objetivos:

Estabelecer uma análise comparada entre a produção artística de Paris em 1920 e a arte que questionava o processo de colonização no Brasil.

Público-alvo:

Alunos da Universidade, bem como demais interessados em geral.